domingo, 22 de maio de 2011

Quando a doença é conveniente...

Uma jovem senhora adentrou meu consultório em busca de tratamento para sua fibromialgia. Bem cuidada e com uma certa altivez reparava em tudo. O lugar parecia simples demais, era o que o comportamento dela dizia.  Já havia frequentado inúmeros terapêutas e só faltava mesmo acupuntura para que a sua longa jornada se cumprisse e ela pudesse dizer a todos, "já fiz tudo o que podia mas minha fibromialgia não tem cura".

Ao iniciar minha bateria de perguntas percebi sua má vontade em respondê-las afinal, "o que o sono tem haver com as dores, o que a cor da urina interfere?" Bem  nem preciso dizer que eu sabia que depois daquilo ela não voltaria mais. Expliquei-lhe da importância da anmnese, é o nome que se dá ao questionário que elaboramos para iniciar um tratamento com segurança.

Na segunda vez que vez, tratei-a como ela esperava, sem perguntas somente coloquei as agulhas e pronto. Percebi sua felicidade. Na terceira vez fiz uma massagem relaxante, para soltar os músculos que pareciam duros e colados. Nem preciso dizer que a rigidez daquela mulher era imponderável. Abri a cabala com a data de nascimento que ela havia fornecido no primeiro dia e pronto já estava definido seu tratamento . Todos os números revelavam uma personalidade controladora e difícil, quando as coisas saiam do seu controle por um motivo ou outro, pronto seu corpo reagia endurecendo-se cada vez mais.

Perguntei a ela como era sua família, sua rotina, se era feliz no casamento. Se dizia muito feliz porém com a morte da sua mãe que ao que tudo indicava era igualzinha a ela. Tudo havia mudado, certas tradições não se cumpriam mais, ela controlova tudo, as festas os encontros em família em fim gostava que o mundo familiar girasse me torno dela. E a jovem senhora da qual eu tratava adorava esse ritual , porém com a morte da mãe tudo havia mudado e desde então encontrava-se doente.

Nem preciso dizer que a doença dela não teria cura mesmo aos olhos de qualquer terapêuta, mas, começamos um trabalho lento de desimpregnar velhas crenças. Ao longo do segundo mês de tratamento suas dores já haviam melhorado 70% segundo ela mesma. Fiz com que ela associasse os fatos que a aborreciam com o comportamento do seu corpo, como ele reagia a um fato do qual ela não podia mudar. Passamos então a trabalhar a aceitação de coisas que não podem ser mudadas por nós. Com isso, caminhamos mais 80%. Mas infelizmente esta jovem senhora abandonou o tratamento quando descobriu que era mais importante prá ela controlar tudo e  todos através da sua "doença" do que se ver livre dela.

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