Certa vez atendi uma cliente que me apontava uma dor no pé, num local bem específico. Perguntei a ela com quem ela havia brigado ou se aborrecido muito. Com olhos inquiridores, ela me respondeu que nos últimos dias estava mesmo muito insatisfeita com uma pessoa da família que por sinal convivia diariamente e com a qual seu "santo não batia." E em seguida quis saber como eu sabia desse conflito que vinha de algum tempo, mas que ela nunca havia comentado com ninguém.
Disse a ela que o local onde ela me apontara a dor correspondia ao trajeto de um meridiano da acupuntura,a vesícula biliar e que cada emoção desemboca em um órgão e que no caso dela, a emoção que a consumia era a do julgamento, ela estava inconformada com o comportamento daquele familiar e queria de todo jeito que o familiar agisse da maneira como ela achava que era a correta.
Julgar é absolutamente normal, passamos o vida fazendo isso, afinal a vida é feita de escolhas e como escolher sem avaliar o que é melhor ou pior. Bem, avaliar é uma maneira saudável de julgar uma determinada situação. Ao passo que julgar é condenar a atitude do outro e era isso o que àquela dolorosa senhora estava fazendo todos os dias de sua vida, até que o seu pé gritou. Bloqueios no meridiano da vesícula ocasionam não só dores localizadas no seu trajeto, mas também cálculos biliares bem incômodos, necessitando muitas vezes da remoção deste.
Expliquei-lhe a importância de se desapegar do certo ou do errado, afinal haverão sempre pontos de vista diferentes dos nossos e não podemos concertar o mundo e colocá-lo da nossa maneira. Tratei-a por algum tempo até que dor desaparecesse por completo.
Desacreditada das minhas explicações, em alguns meses ela retornou e dizia que a dor era devido a idade e que pelo jeito ela seria prá sempre minha cliente.
Ser terapeuta nos proporciona duas emoções muito distintas, a alegria da descoberta que todas as doenças não existem e que na verdade o que existe são emoções em desarmonia que desajustam o corpo. E a tristeza de não sermos levados a sério por isso. Se assim não fosse, como explicar idosos tão saudáveis e pessoas novas tão doentes. Importante também lembrar que quando falo de doenças que desarmonizam o corpo devido a emoções que a desencadearam, não estou falando daquelas que são congênitas. Para estas existem também uma explicação interessantíssima, que falaremos mais adiante. Por hora, alegre-se, a alegria cura todas as dores da alma e não as deixam se fixar no corpo. Forte abraço...
Eliana Baliberdin
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